15 Expressões populares que devem sair do seu vocabulário JÁ! – Parte 1

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Frase inicial

No artigo anterior, falamos um pouco sobre modelos mentais, como eles são formados, como podem ser a causa de inúmeros preconceitos, que temos com relação a várias questões de nossas vidas, e como podemos ampliá-los ou alterá-los para que não continuemos reféns de padrões de pensamentos injustos e nem sempre verdadeiros. Se você ainda não leu, vale a pena conferir: http://www.coachingth.com.br/modelo-mental/.

Naquela ocasião, analisamos o porquê de comportamentos e pensamentos que estão tão naturalizados em nosso cotidiano, que não percebemos e sequer questionamos sua origem e/ou utilidade. Sua formação se dá aos poucos, muitas vezes a nível inconsciente e com base nos detalhes que vemos, ouvimos, sentimos, vivemos.

Ocorre que esses comportamentos e pensamentos, crenças, costumes e linguajar podem parecer inofensivos, mas não o são. O conjunto deles é o que constitui todo um arcabouço de elementos ambientes que pode tanto nos beneficiar quanto nos prejudicar, e muito! Como dissemos no artigo anterior, nossos modelos mentais determinam toda a nossa vida, nossas oportunidades, fraquezas, forças, etc.

Essa “cultura” que se assenta sobre essas variáveis aparentemente inocentes (piadas, formas de falar, costumes, crenças) é o que contribui fortemente para uma sociedade preconceituosa, racista, machista, LGBTIfóbica, etc, em seus níveis mais violentos. Não é algo superficial e direto, como se piadas levassem diretamente a assassinatos, mas é algo que demanda nossa atenção se quisermos transformar a estrutura social desde suas bases.

O cuidado com aquilo que reproduzimos e verbalizamos entre nós e para nossas crianças é crucial para uma evolução comportamental coletiva.

Portanto, falaremos de algumas expressões preconceituosas que devemos eliminar o quanto antes de nosso vocabulário.

Esse artigo será dividido em duas partes! A cada semana refletiremos melhor acerca de alguns dos conceitos que devemos eliminar o quanto antes de nossas vidas.

Vamos conferir os primeiros:

 

  1. “Homossexualismo”

A Homossexualidade, infelizmente, já foi considerada uma doença mental no passado, em determinado período da história. O sufixo “ismo” denota condição patológica e é por isso que devemos evitar essa palavra, pois corrobora com a ideia de que o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não seria “normal”, “saudável”, “natural”.

Sabemos que o sufixo “ismo” não é utilizado apenas para caracterizar patologias, porém, devido ao contexto histórico, político e social, tal carga vem atrelada à palavra e contribui com o preconceito. Não custa nada acharmos outras alternativas, não é? Ninguém fala heterossexualismo, então, vamos ser coerentes! Homoafetividade (essa é uma ótima opção) não é doença mental, nem distúrbio, nem perversão. Nunca foi.

 

  1. “Traveco”

Primeiro devemos atentar para o artigo de gênero, que deve ser sempre no feminino para AS travestis. Travestis e Transexuais[1] são concepções diferentes, mas explicaremos isso com mais detalhes em um artigo específico sobre os termos e conceitos de gênero e orientação sexual.

Quanto à palavra Traveco, é simples, NÃO use. Nunca. É depreciativo e preconceituoso. Já notou que usamos o sufixo “eco” para diminuir as coisas? Jornaleco, livreco, etc. Nem de brincadeira devemos fazer uso de definições que marginalizam e discriminam pessoas.

  1. “Mulatx”

“Mulatx” é uma derivação da palavra “mula”, aquele animal estéril, resultado do cruzamento do jumento com o cavalo. Inúmeros registros etimológicos indicam que foi há mais ou menos 400 anos, ou seja, durante o período escravagista brasileiro, que essa palavra começou a ser usada para se referir aos filhxs de negrxs com brancxs.

Precisa falar mais alguma coisa? A bagagem histórica desse conceito é péssima e ofende muitas pessoas. Não há problema algum em se referir a umx negrx como “negrx”! Não são necessárias substituições como moreninhx, escurinhx, etc. Apenas dispenda sempre o seu máximo respeito e consideração a todo e qualquer ser humano, mas não tenha medo das palavras corretas.

 

  1. “Não sou tuas nêgas”

Mais uma expressão da época da escravidão que dá a entender que “comigo não”, mas com as suas negras, tudo pode.

Dispensa maiores explanações.

 

  1. “Serviço de preto” / “Dia de branco”

Não demanda muita reflexão para se concluir que as locuções citadas são disparatadas. As expressões dão a entender que “serviço de preto” é algo mal feito e que “dia de branco” é dia de trabalhar, como se somente brancos trabalhassem e negros fossem preguiçosos e vagabundos. O racismo e o preconceito nessas locuções são gritantes.

 

  1. “Mulher tem que se dar o respeito”

Mulher nenhuma tem que “se dar o respeito” porque o respeito já é dela, por direito, independentemente de roupa ou de seu comportamento sexual. Tais elementos não definem seu caráter, dizem respeito somente a elas e devem estar dentro de sua esfera de livre escolha. Não podemos mais naturalizar o machismo e diminuir mulheres por não serem necessariamente recatadas e submissas.

 

  1. “Coisa de mulherzinha” / “Homem não chora”

A crença de que mulheres são frágeis, sentimentais e fracas não podia ser mais equivocada. As “coisas de mulherzinha” são ensinadas culturalmente e usadas depois para menosprezar a capacidade das mulheres. Não existe “coisa de mulherzinha” ou “coisa de macho”, tais criações apenas reforçam a discriminação de gênero. Homens e Mulheres são capazes das mesmas coisas se ofertadas as mesmas oportunidades.

Pessoas têm suas aptidões independentes de gênero. Homens podem ser sensíveis e delicados, assim como mulheres podem ser duras e fortes. A limitação por rótulos só nos faz perder.

O julgamento de uma mulher quando ela tem uma característica considerada mais masculina é cruel e tenta a todo o momento desqualifica-la e desacreditá-la. “Mal amada”, “mandona”, “fria”, “desnaturada”, “louca”, “histérica”, “na TPM”. Já os homens são compelidos a se afastarem de qualquer comportamento próximo do feminino, como se fosse sinônimo de fraqueza e de inferioridade. O machismo é isso, uma prisão fria e pobre atrelada a categorias e julgamentos.

 

Continua…

Thaisa Hahnemann.  

[1] Para transexuais podemos usar artigos masculinos ou femininos dependendo de como a pessoa se identifica.