Qual é o seu Modelo Mental?

Modelo mental

pensamento talmut

Você já parou pra pensar no quanto determinados comportamentos e pensamentos acabam definindo o rumo da sua vida? E no quanto você gostaria de muda-los para seguir um novo caminho, ter novas oportunidades, mas simplesmente “não consegue”? Tudo isso é decorrente da formação, ao longo da nossas vidas, de modelos mentais.

Se você nunca tinha notado, perceba que muitas vezes naturalizamos tanto determinados padrões, que agimos apenas de acordo com aquilo que acreditamos ser único e verdadeiro e acabamos abrindo mão de um infinito leque de possibilidades que a vida nos oferece.

Quantas vezes por dia você não repete frases como: eu não nasci pra isso, eu não consigo, mulher foi feita para cuidar da casa, isso não vai dar certo, eu sou assim mesmo, sempre fui assim, pessoas não mudam?

Podem parecer frases inofensivas, mas as crenças embutidas em nosso inconsciente são poderosas. O seu modelo mental determina o tipo de vida que você vive, pois define o seu comportamento.

Se você acredita realmente que algo não vai dar certo, as chances de fracasso são enormes, até mesmo porque, ainda que inconscientemente, você vai agir de forma a contribuir com isso.

Se você acredita que não nasceu pra ser um grande empreendedor, você nunca será, porque sequer tentará.

Se você acredita que alguém vai ser rude com você, automaticamente seu discurso vai adotar um tom de defesa, ou até mesmo de ataque, desembocando realmente em uma resposta mais agressiva do receptor daquela mensagem.

Mas afinal de contas, o que são esses modelos mentais?

Segundo Peter Senge, “Modelos mentais são pressupostos profundamente arraigados, generalizações, ilustrações, imagens ou histórias que influem a nossa maneira de compreender o mundo e nele agir”.

Portanto, cada indivíduo tem o seu próprio modelo mental, o qual é resultante de todas as suas experiências, historia de vida e situações. Os modelos mentais são o filtro pelo qual enxergamos o mundo a nossa volta.

processo iteração humana

O problema disso tudo está no fato de que cada indivíduo crê que o seu modelo mental é o verdadeiro e o melhor, e não quer abrir mão dele, muitas vezes bloqueando a experiência de ouvir pontos de vista diferentes do seu.

Por isso é tão difícil mudarmos os modelos mentais. Eles são construídos e criam raízes em nosso inconsciente. Ocorre que, por se tratarem de generalizações, interpretações, repetições, o resultado são atitudes muitas vezes prejudiciais a nós mesmos ou preconceitos que geramos com relação aos outros e que são extremamente tóxicos às relações e interações sociais.

Contudo, apesar de trabalhoso, não é impossível alterarmos esses modelos para obtermos mais sucesso e harmonia em nossas vidas.

A partir do momento que entendemos o significado e a importância dos modelos mentais em nossas vidas, podemos passar para o segundo passo que é entender as bases do comportamento humano, pois essa é a chave para conseguir muda-lo.

Quando um conjunto de regras cristalizado não nos está mais trazendo resultados positivos, é porque é hora de quebrar paradigmas. É fundamental para nosso crescimento e evolução mergulharmos na diversidade de culturas e de pontos de vista. Passarmos a vida toda presos somente na nossa própria interpretação do mundo, é perder a oportunidade de desfrutar de inúmeras ferramentas que estão à nossa disposição e que podem ser usadas a nosso favor.

Mas então, como podemos ampliar ou alterar esses modelos mentais?

Bom, um dos caminhos possíveis é a reflexão constante acerca dos conhecimentos adquiridos. Sabemos que a aquisição de informação pode se dar de forma consciente ou inconsciente e, portanto, devemos sempre questionar aquilo que percebemos que está sendo naturalizado, internalizado, agregado. Qual a origem desse conhecimento? Qual o motivo de eu o ter incorporado? Vai trazer consequências positivas ou negativas para mim e para os que me rodeiam? Se tal comportamento ou pensamento fosse adotado por todo mundo, isso seria benéfico para a sociedade? Contribuiria para a felicidade dos indivíduos que a ela pertencem?

Para facilitar essa reflexão, é de suma relevância que compreendamos como funciona o nosso processo perceptivo e cognitivo, ou seja, como interpretamos e damos sentido ao mundo à nossa volta.

Os modelos mentais são provenientes de quatro fontes: a história pessoal, a linguagem, a cultura e a biologia (sistema nervoso). Esses elementos, formados muitas vezes na infância por exemplos dos pais, traumas, sucessos, etc, são como filtros pelos quais vão passar as informações e percepções que recebemos do ambiente externo, resultando em produtos alterados pela nossa interpretação particular.

A sensação é o processo pelo qual recebemos informação, externa e interna ao organismo, através dos órgãos dos sentidos. A percepção é o processo cognitivo pelo qual damos sentido ao mundo.

processo

Podemos dividir esse processo perceptivo/cognitivo em basicamente 4 (quatro) fases: recebo, seleciono, organizo e interpreto.

Recebo um estímulo, que pode ser uma informação, um fato, uma experiência. Seleciono somente aquilo que me interessa, já que não somos capazes de absorver toda a informação a que estamos expostos. Organizo os dados coletados por semelhança ou qualquer outro critério interno. E interpreto, ou seja, tiro as minhas conclusões baseadas em todo o meu esquema mental montado em cima das minhas crenças, memórias, valores, etc.

O sistema de crenças e valores funciona como um filtro perceptual, sendo utilizado pelo indivíduo na visão que faz do mundo. Por meio dos filtros perceptuais o indivíduo atribui significados aos eventos ambientais.

A atitude resulta do modelo mental e se situa na base do comportamento do indivíduo na sua condição de ser/estar no mundo.

Ocorre que não necessariamente essas conclusões são verdadeiras ou as melhores. Imaginemos, por exemplo, um sujeito cuja namorada é bastante sensível e chora pelos mais diversos motivos. Esse indivíduo chega em casa e encontra a mãe chorando. Ele recebe esses estímulos, seleciona (pois ignora todas as outras experiências com mulheres), organiza (minha mãe é mulher, minha namorada é mulher, ambas choram bastante), e interpreta (então, toda mulher chora a toa).

A interpretação depende da experiência prévia do indivíduo, assim como das suas motivações, interesses pessoais e sua interação com outras pessoas. Por isso, a forma de interpretar os estímulos pode variar à medida que cresce a experiência do indivíduo ou variam os seus interesses.

Assim, a formação dos estereótipos corresponde, em grande parte, à interpretação perceptual que o indivíduo dá aos acontecimentos.

Estereótipos ou preconceitos, portanto, nada mais são do que generalizações subjetivas de um indivíduo, não necessariamente correspondentes à verdade, e que muitas vezes são ensinados e repetidos por toda uma sociedade que sequer questiona tais interpretações.

Fica claro o grave problema gerado. A partir do momento em que você acredita na sua conclusão e compartilha como se verdade fosse, mais e mais pessoas podem acreditar, sem questionar, gerando uma discriminação injusta e generalizada.

Será que homossexuais são “pecadores”? Será que mulheres não são confiáveis? Será que feministas são apenas loucas que não se depilam? Será que negros são vitimistas? Será?

Precisamos refletir e questionar. Quantos modelos mentais você tem deixado que te façam uma pessoa não tão boa quanto você poderia ser? Uma pessoa preconceituosa? Uma pessoa que não explora toda a sua capacidade e potencialidade?

Quais são os seus modelos mentais?

O próximo passo para uma mudança de mentalidade é a repetição. De acordo com Jair Pauletto, repetição é fundamental para incorporar um novo paradigma. Portanto, persistência é fundamental no processo de mudança.

Reflita, questione, aja e repita.

Para que um sujeito evolua, é necessário abertura, receptividade, criatividade, desejo de mudança, de despertar potencialidades e de ser uma pessoa melhor e mais realizada.

Nunca devemos duvidar de nossa própria capacidade e do nosso poder de contribuir para uma sociedade melhor e mais harmoniosa.

Você já questionou os preconceitos que reproduziu hoje?

Thaisa Hahnemann